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John (de pé) e Arnaldo não notam influências dos Mutantes no som do Pato Fu
Veja a fotogaleria com os bastidores do Claro Q é Rock
Ligados musicalmente, mas nem tanto
Reunidos para gravação de um programa de TV, Arnaldo Baptista, dos Mutantes, e John Ulhoa, do Pato Fu, falam sobre as comparações entre as duas bandas

Raphael Crespo

As semelhanças entre Pato Fu e Mutantes não vão muito além das simples comparações daqueles que olham de fora para as duas bandas. Separados por quase trinta anos de estrada, os músicos têm escolas diferentes e alcançaram repercussões totalmente distintas em suas carreiras. Reunidos na terça-feira passada, para uma participação do programa Claro Q é Rock, do Multishow - onde conversaram e fizeram jams com o apresentador Frejat, do Barão Vermelho - Arnaldo Baptista, dos Mutantes, e John Ulhoa, guitarrista do Pato Fu, encontraram um tempo entre passagens de som e gravação para conversar com o JB Online sobre o assunto.

Banda de fundamental importância na história do rock, os Mutantes influenciaram gerações de músicos no mundo. Mas não o Pato Fu, tido por muitos, em seu início de carreira, como a versão anos 90 da banda de Rita Lee e dos irmãos Arnaldo Baptista e Sérgio Dias.

E tanto Arnaldo quanto John chegaram à conclusão de que uma banda não tem nada a ver com a outra, além do fato de terem começado com uma formação parecida, com o vocal feminino, e do experimentalismo presente nas composições de ambos.

- Nunca senti influência dos Mutantes no Pato Fu, assim como não os achei parecidos com a gente quando apareceram. Mas acho muito interessante o som do Pato Fu. Gosto deles. É uma música aconchegante - diz Arnaldo, que completa, diante de John: - A gente copiava o Mamas and the Papas no começo e, no entanto, ninguém nunca falou isso. Não entendo a comparação do Pato Fu com os Mutantes.

Acostumado com as comparações, John afirma, categórico, também diante de Arnaldo, que comparar as duas bandas é uma ''tremenda besteira''. O guitarrista da banda mineira fala de suas influências para provar que nunca teve os Mutantes como referência no início da carreira do Pato Fu.

- Quando aparecemos, muitos diziam que éramos os Mutantes dos anos noventa. Acho isso uma besteira. O Patu Fu é um projeto dos anos oitenta que deu certo nos anos noventa. Os Mutantes fazem parte de um estilo mais sessentista, são grandes músicos, tocam muito bem. Já o Pato Fu é uma banda que só poderia existir depois do punk. Nossas influências são as bandas do pós-punk, como Devo, Talking Heads, B-52s. Eu gosto muito de Mutantes, mas não necessariamente era a banda que eu ouvia quando nós começamos - afirma John

Se, através dos depoimentos de ambos, ficou definitivamente provado que não existe influência dos Mutantes no som do Pato Fu, ao menos entre Arnaldo e John existe uma forte ligação, inclusive de trabalho. John conheceu Arnaldo no final dos anos 80, durante os trabalhos para a coletânea "Sanguinho Novo - Arnaldo Baptista Revisitado", na qual participou com sua antiga banda Sexo Explícito.

Além disso, ao levar um computador repleto de programas de áudio para o Arnaldo ''brincar'' em seu sítio, em Juiz de Fora (MG), o guitarrista do Pato Fu reacendeu em Mutante a veia da composição. Da reunião surgiu o disco Let it Bed, produzido por John e seu amigo Rubinho Troll, e lançado em 2004. Com a tecnologia a seu dispor, os dois espalharam microfones pela casa e deixaram a criatividade de Arnaldo fluir.

- O trabalho dele foi mais na parte tecnológica. Eu estava experimentando coisas que ainda não havia feito. E, de repente, as letras também começaram a sair - lembrou Arnaldo.