| |
Sim e Não
Em seu novo show, Nando Reis transita
na ambigüidade
Rafael Gomes, de São Paulo
Nando Reis e Os Infernais
estrearam, na noite de sexta-feira, 4 de agosto, em São
Paulo, a turnê Sim e Não, resultado
do trabalho homônimo laçado em disco há
poucos meses. Casa lotada, fãs histéricos (e
talvez um pouco mais embebedados do que seria o ideal) e músicas
inéditas preenchendo um show recheado de hits.
Nando estreou em disco solo em 1995, em um
trabalho intitulado 12 de Janeiro, que trazia
futuros sucessos como Me Diga e ECT.
A carreira prosseguiu com Para Quando O Arco Íris
Encontrar o Pote de Ouro, de 2000 e Infernal,
de 2001, atingindo o ápice qualitativo com A
Letra A, de 2003.
O estouro popular definitivo do artista ocorreu
em 2005 com o disco MTV Ao Vivo - Nando Reis e Os Infernais.
Assim, ele trilhava caminho semelhante ao de Cássia
Eller, que conheceu o grande sucesso também com um
disco lançado pelo selo da emissora de
tv, seu Acústico MTV. Não por acaso,
muitas das músicas que se tornaram famosas na voz de
Cássia são de autoria de Nando, já que
a cantora foi sua porta-voz de maneira muito intensa na fase
final da vida.
Cantando mais ou menos as mesmas canções
que Cássia Eller tornara famosas (e não que
isso seja, de forma alguma, ruim) e catapultado pela aceitação
maciça à faixa Por Onde Andei, Nando
Reis firmou-se, progressivamente, um artista popular.
Sim e Não, um novo disco de inéditas,
veio para a prova dos nove. Quanto da fidelidade de um público
de memória efêmera e gostos voláteis pode
ser mantida perante o novo?
Se depender do show Sim e Não,
muito. Nando e seus Infernais abrem-no apresentando No
Recreio e não deixam de executar, por duas horas
de música, clássicos como All
Star, O Segundo Sol, Os Cegos do Castelo,
Marvin, Luz dos Olhos, Mantra,
Relicário (momento em que a voz de Cássia
ecoa fantasma nos altos falantes da memória) e, claro,
Por Onde Andei.
Todas elas devidamente registradas no disco
de sucessos, MTV Ao Vivo. O que leva
à pergunta: mudou-se quanto do show passado para este?
Houve avanços? É necessário havê-los?
Será que toda a platéia que sai de casa e coloca-se
em comunhão com a energia palpitante de Nando Reis
e Os Infernais quer regozijar-se com mais e mais do mesmo?
Nem toda. E para quem queria as algumas delícias
do disco Sim e Não, houve a lindíssima
Espatódea, a contagiante Sou Dela
e a bela Sim, entre outras. E houve também,
lá do fundo do baú, Quem Vai Dizer Tchau,
em interpretação lancinante, e um biz com algumas
saborosas surpresas.
E o que há de novo vale ter que escutar
O Segundo Sol pela octogésima vez? Não
necessariamente. Mas fato é que Nando Reis, colocando-se
nem tão pra lá, nem tão pra cá,
se por um lado não alcança um meio-termo plenamente
satisfatório para seus fãs exigentes, tampouco
decepciona seus fãs mais relaxados. E talvez, por hora,
seja o que basta.
|