Descomprometidos com o sucesso, Os Britos apostam na releitura de músicas dos Beatles e começa a trilhar caminho autoral
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Os Britos: Amizade e parceria, "sem nenhuma pretensão"
Banda formada por músicos experientes do Barão Vermelho e Kid Abelha registra um encontro que acontece há mais de 12 anos

Gardênia Vargas

Meia hora antes do show: as portas do camarim se abrem e lá estão eles, os "meninos" da banda Os Britos, alvoroçados como adolescentes em seu primeiro grande show. Eles se abraçam. Já estão atrasados e nem percebem. Só sabem distribuir sorrisos. Nesse clima de estréia, os experientes músicos George Israel (Kid Abelha), Rodrigo Santos (Barão Vermelho), Nani Dias e Guto Goffi (Barão Vermelho) subiram ao palco do Canecão, na quarta-feira passada, 28, para o lançamento do CD e DVD Os Britos cantam The Beatles.

O show começa com um trecho do DVD gravado durante a viagem do grupo a Londres e Liverpool, para reviver os passos dos velhos besouros. Muito agitados e até desafinados, os quarentões entram em cena no Canecão nitidamente nervosos e emocionados, parecendo até mesmo esquecer os anos de carreira e sucesso em suas bandas. Eles se encontram há 12 anos, despretensiosamente, apenas com o objetivo de "levar um som", mas acabaram descobertos por Pedro Paulo Carneiro, que incentivou a viagem que deu origem ao DVD e a gravação do primeiro CD.

- Sempre nos encontrávamos para tocar, até que nos chamaram para um show na estréia do filme "Back beat - Os cinco rapazes de Liverpool", há quase 12 anos. Neste momento, decidimos que a brincadeira era para sempre. Ficamos anos tocando no circuito alternativo do Rio, até que conhecemos o Pedro Paulo, que nos convenceu a gravar e foi o grande incentivador disso tudo - conta George Israel.

O show abre com Money (That's what i want) e segue com repertório em homenagem aos quase 10 anos que Os Beatles tocaram no clube The Caver, de Liverpool. Músicas como I saw Standing there e Slow Down fizeram parte do primeiro bloco. Mais calmos e afinados, Os Britos encontram seu lugar e deixam a larga experiência em palco falar mais alto. Releituras como I need you, I feel fine e Help embalaram a platéia, que encheu a casa nesta noite.

Ponto alto e especial, a participação da cantora Zélia Duncan e do guitarrista Sergio Dias (Mutantes) em Lucy in the sky with diamonds (hino dos anos 60, que deixou dúvidas sobre sua real mensagem - alguns defendiam a tese de que os Beatles faziam alusão ao LSD com música) levantou a platéia. Num dos momentos mais emocionantes da noite, a banda dedicou While My Guitar Gently Weeps ao lendário músico dos Mutantes, que mostrou o porquê de ser conhecido como um dos melhores instrumentistas do rock brasileiro. Zélia ainda interpretou a canção Two of us, a mesma que gravou no CD e DVD. Outras participações como do baixista Felipe Cambraia, do gaitista Flávio Guimarães e do guitarrista Fernando Magalhães, enfeitaram a noite de rock no Canecão.

Com duas únicas músicas autorais, o show teve pitadas de uma nova estrada. Rodrigo Santos confirma a tendência:

- A gente sempre tocou Beatles, mas nosso empresário cobrou uma posição em relação a músicas próprias, já que sempre fizemos canções para nossas bandas. Durante a viagem nasceu Dia comum e Amor de bicho. Daqui a alguns anos pretendemos lançar um disco só de autorais - disse Rodrigo.

As músicas próprias, que também estão no CD e no DVD, ficaram para o final do show. Dia comum tem um refrão grudento e Amor de bicho, um tema romântico, tem o suingue do rock nacional e letra elaborada. O descomprometimento marca o encontro dos amigos, que encaram a aventura seriamente e admitem que muitas vezes passaram por momentos de início de carreira.

- Quando chegamos ao The Cavern, em Liverpool, nos vimos a meia hora do show sem nenhum equipamento ligado, nada estava pronto. Na Melt é assim também, sempre tem um inesperado. É um trabalho de amizade e parceria, sem nenhuma pretensão - afirmou Rodrigo.

Os Britos tocam todas às terças na boate Melt, no Leblon, Zona Sul do Rio.