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Dixie Square Jazz Band faz do balneário da Região dos Lagos sua Nova Orleans, enquanto Marcos Valle, Funk Como Le Gusta, Eric Gales e Blas Rivera, entre outras atrações, atraem aproximadamente 50 mil pessoas à cidade no fim de semana
O ‘Mardi Grass’ de Búzios

Fernanda Gualda
Especial para o JB

BÚZIOS. A brisa que vinha da Praia do Canto, os rostos corados pelo sol, as inconfundíveis pedras nas ruas e calçadas não negavam: era mesmo em Búzios que um trombone, um trompete, um banjo, uma tuba e um wash board arrastavam uma legião de foliões. Durante quatro dias, de quarta a sábado passados, a Dixie Square Jazz Band transformou o balneário fluminense num pedacinho de Nova Orleans, como uma autêntica brass band. O quinteto paulistano liderado por Mister Marc Antony azeitou a programação do Búzios Jazz & Blues, numa mistura do tradicional carnaval de Nova Orleans, o Mardi Grass, com os blocos carnavalescos tipicamente brasileiros.

Por onde passavam, de dia ou à noite, os músicos contagiavam pessoas de todas as idades com clássicos do jazz executados no meio da rua. Nem a chuva que caiu no sábado atrapalhou a festa. A cada quarteirão, mais gente se aglomerava para dançar, enquanto esperavam os rapazes do Funk Como Le Gusta subirem ao palco TIM, montado na Praça Santos Dumont.
- O festival só se consagra quando toda a cidade veste blues e jazz. Por isso trouxemos a Dixie e também por isso fazemos de tudo para que os músicos permaneçam na cidade até o último dia do festival - disse Mario Fernandez, organizador do evento.
A disposição dos músicos confirmou a declaração de Fernandez. Antes do fim do show, os integrantes do Funk Como Le Gusta desceram do palco e tocaram no meio da platéia.
- Aqui não tem isso de banda e público. Estamos todos na mesma plataforma - disse o vocalista Reginaldo Gomes.

Charme realmente não faltou ao 9º Búzios Jazz & Blues, que, de acordo com a Secretaria de Turismo de Búzios, atraiu cerca de 50 mil pessoas à cidade e elevou a ocupação da rede hoteleira para aproximadamente 80%. No bar e casa de shows Pátio Havana, cuja decoração é toda inspirada em Cuba, as velas dispostas nas mesas colaboravam com o clima intimista das apresentações, enquanto garçons vestidos a caráter serviam mojitos e charutos da terra de Fidel Castro. Na parte dos fundos, era possível apreciar, ao mesmo tempo, os shows e o mar.

Pelo palco da casa passaram o saxofonista argentino Blas Rivera, que na quarta-feira encantou com seu jazz portenho; o trio Azymuth, que depois de 30 anos de carreira mostrou, na quinta-feira, por que continua fazendo sucesso com seu incensado samba-jazz; o pianista americano Bobby Lyle, que se apresentou na sexta, ao lado do baixista Alberto Continentino e do baterista Allen Pontes, com participação do saxofonista Leo Gandelman e do grupo argentino Memphis la Blusera. Além de tocar no último dia do festival no Pátio Havana, apresentou-se, na sexta-feira, para cerca de duas mil pessoas na Praça Santos Dumont. O Pátio Havana era o único lugar onde era preciso pagar para assistir aos shows. Todos os outros foram realizados ao ar livre.
O Chez Michou, templo da molecada em Búzios, reuniu cerca de 1.500 pessoas por noite para ver o grupo Garrafieira, orquestra de dez músicos que mistura jazz, samba, bossa nova, eletrônica e até baião numa releitura do som das antigas gafieiras da Lapa. O guitarrista Big Joe Manfra, primeiro brasileiro a lançar um DVD de blues, também solou a valer. Mas foi o Bossacucanova, trio que há oito anos embala as pistas com releituras eletrônicas do samba e da bossa nova que botaram a casa abaixo.
O guitarrista americano Eric Gales, habitualmente citado como clone de Jimi Hendrix, foi curto e grosso na comparação.
- Meu som é meu e de mais ninguém - disse o músico.
O excêntrico guitarrista, que se apresentou usando lentes de contato cor de mel, fez um dos shows com som mais alto do evento. De dentro do Pátio Havana, em frente ao Chez Michou e onde a apresentação da Memphis la Blusera já terminara, era possível ouvir tudo que acontecia no show de Gales, que não arredou pé antes das 4h30, com o público dançando na chuva fina que insistia em cair.
A repórter viajou a convite do festival