Tapete vermelho
Popular, mas nem tanto

Marco Antonio Barbosa

Quando se discute a crise (desaparecimento?)  do cinema popular legítimo no Brasil, uma figura sempre lembrada é a de Amácio Mazzaropi. O caipira que arrastava multidões aos cinemas nos anos 50 e 60 é homenageado em Tapete vermelho, filme que narra a saga de uma família – pai (Matheus Nachtergaele), mãe (Gorete Milagres) e filho (Vinicius Miranda)  –   que vai da roça à cidade em busca de uma sala que exiba um filme de Mazzaropi. A intenção do diretor  Luiz Alberto Pereira é, debaixo do tributo explícito ao criador de Jeca Tatu, discutir o (suposto)  fim do cinema popular à moda antiga. Mas a frágil dialética em ação no roteiro embota a reflexão. Ao seguir os passos dos capiaus mundo afora (em contato com as mazelas contemporâneas do campo e da cidade), o tom do filme se divide entre o  francamente ingênuo – no mau sentido – e o   fake. Pereira abraça o universo de Mazzaropi e tenta atualizá-lo, mas sente-se de longe o excesso de metalinguagem na narrativa, esfriando o filme e afastando o público. Por sorte, o talento cômico dos atores (mais o de Gorete do que o de Matheus, que soa pouco convincente  às vezes) segura bem as pontas. 

 

Estréia retumbante