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O
lado negro da ensolarada California
Brian de Palma dirige o noir Dália negra,
baseado na obra do mestre do policial James Ellroy
Gardênia
Vargas
Los Angeles,
1947. Uma jovem de quase 30 anos é assassinada
brutalmente. O corpo foi encontrado num terreno
baldio, esquartejado e estripado. Sua mandíbula
fora rasgada até as orelhas formando um
sorriso pavoroso, as pernas tinham sido quebradas
com sinais de violência sexual e sua mão
esquerda ferida por uma perfuração.
O crime ficou conhecido pelo apelido dado á
vítima, Dália negra, e chocou a
América na década de 40. Jamais
foi solucionado, mas ganhou versão literária
com desfecho e tudo, pela pena ágil de
James Ellroy. O autor já teve seu romance
Los Angeles, cidade proibida (L.A. Confidential)
levado ao écran por Curtis Hanson, em 1997.
Agora é a vez de Dália negra (Black
Dhalia), que estréia nessa sexta e leva
a assinatura de Brian de Palma.
- James Ellroy renova a literatura
com A dália negra. É ele quem começa
a criar tramas em cima da realidade. É
o primeiro de um quarteto de romances que se passa
na década de 50 na cidade de Los Angeles.
Tem uma importância sem igual para o romance
policial - explica o jornalista Álvaro
da Costa e Silva, que fez a revisão da
tradução do livro para o português.
- Ellroy sempre coloca pessoas reais nos livros.
Ele tem essa idéia de fazer a história
da América através dos romances.
O livro passa à tela com
um elenco de arrancar suspiros. A nova queridinha
de Hollywood, Scarlett Johansson, interpreta Kay
Lake, a ponta de um triângulo amoroso dividido
entre os policias Dwight "Bucky" Bleichert
(Josh Hartnett) e Leland "Lee" Blanchard
(Aaron Eckhart). Parceiros e ex-boxeadores, os
policias serão envolvidos no crime ao se
deparar com o corpo da jovem Elizabeth Short (Mia
Kirshner) estirado num matagal. Lee fica obcecado
pelo caso, o que causa uma reviravolta em sua
vida. Outros personagens desse submundo são
Bobby DeWitt (Richard Brake), um antigo desafeto
de Lee que estava preso há anos e ganha
liberdade e Madeleine Linscott (Hilary Swank),
uma jovem linda de alta classe que se prostitui
por prazer. As tramas se interpõem com
uma dinâmica que pode até confundir
os menos atentos.
Filme novo de Brian De Palma sempre cria expectativa.
E algumas de suas marcas estão presentes
em Dália Negra, como as cenas em plano-sequência.
Como noir exemplar, os clichês do gênero
estão todos lá: o mocinho imbatível
e sedutor, a femme fatale, tão sedutora
quanto inescrupulosa, e, claro, muito suspense.
Ellroy e De Palma têm em comum a fixação
pelos temas policiais. Se, no caso do diretor,
essa escolha é estética, para Ellroy,
a identificação tem fundo pessoal.
A mãe do escritor foi encontrada, como
Elizabeth, jogada em um terreno baldio, com marcas
de violência e sexo. Depois de um longo
período perdido entre becos da Califórnia,
vivendo como mendigo e viciado, ele encontrou
a literatura, e foi salvo por ela.
*Leia
a crítica do filme, por Marco Antonio Barbosa
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