Dália Negra
Atores não ajudam De Palma

Marco Antonio Barbosa

O film noir segue paradigmas imutáveis - a mulher fatal, o herói cínico e desesperançado, o clima de desorientação. Manipulá-los sem cair no clichê é tarefa espinhosa, na qual Brian De Palma não se sai muito bem em Dália Negra. Afeito à emulação e à parodia (carinhosa) de gêneros clássicos, De Palma traça uma caricatura do noir. E não passa disso, mesmo guiando a câmera com o capricho usual e (re) criando uma Los Angeles onírica e expressionista. É o olhar de um apaixonado pelo gênero, que só conseguiu recriar em laboratório os dogmas do estilo. O elenco não ajuda: apenas Mia Kirshner, como a personagem-título, chega ao desespero inerente ao universo noir. O resultado é uma experiência estética ocasionalmente fascinante, derrubada por um roteiro estéril que apela para a falação na hora de resolver seus implausíveis mistérios.

 

Estréia retumbante