Cinema e festa em um só gole

Por Patricia Froes

Os que gostam de cinema viram Glauber Rocha, Humberto Mauro, Jorge Furtado e Sergio Bianchi. Os que gostam de festa beberam, dançaram e ainda assistiram a show. Como todo carioca que se preza gosta tanto de cinema quanto de festa, a noite do último dia 16 de agosto foi inesquecível. Comemorando quatro anos de existência, com sessões mensais no cinema Odeon, um dos cineclubes mais bacanas da cidade, o Cachaça Cinema Clube foi criado quase que por acaso por um grupo de amigos do curso de cinema da UFF.

- Tínhamos um filme prontinho para ser exibido. Falei com a Adriana Rattes, do Grupo Estação, sobre a idéia de fazer uma sessão com novos filmes da UFF e ela se mostrou tão receptiva que resolvemos fazer um projeto e ir além - explica Lis Kogan, que produz o evento ao lado de Karen Black, Debora Brutuce e João Cabral.

O sucesso resiste até hoje com a infalível curadoria do grupo e festas animadíssimas que seguem a sessão no próprio Odeon. O evento, que costuma lotar os 600 lugares do cinema e só acaba quando a produção acende a luz, teve uma edição mais do que especial na última quarta-feira com duas sessões concorridíssimas seguidas de festa no Cordão do Bola Preta, sem hora para acabar.

- Concordamos com a produção do Odeon que uma e meia da manhã era uma hora bastante razoável para se acabar uma festa em um cinema em plena quarta-feira, mas parece que ninguém concorda - conta Lis, que também admite receber muita bronca dos mais animados.

A sessão especial de aniversário contou com os clássicos O Pátio, primeiro filme de Glauber Rocha; A Velha a Fiar, um dos curtas mais importantes do mestre Humberto Mauro; Mato Eles?, ácido documentário em média-metragem de Sérgio Bianchi, e Ilha das Flores, filme de Jorge Furtado considerado por alguns como o melhor curta metragem já produzido no Brasil.

O Cachaça comemora ainda mais uma grande conquista: o convite para participar do Festival Interfilm Berlin em novembro deste ano. O brasileiríssimo evento realizará cinco sessões dentro da programação do festival alemão, com direito a uma mostra itinerante que passará por cidades alemãs como Colônia, por exemplo.

- Este intercâmbio está para acontecer há um tempo, desde que o diretor deste festival visitou o Cachaça e nos fez o convite. Conseguimos um apoio do Ministério da Cultura e ampliamos o projeto: cinco sessões por lá e uma aqui em dezembro, só com curtas alemãs - disse a produtora.

O evento comemorativo foi palco ainda do lançamento do Circuito Cineclubista de Estréias: uma rede de mais de 20 cineclubes que promete tornar real a idéia de um circuito alternativo para circulação dos curtas metragens. O filmes exibidos foram A Camareira, de Zonda Bez, e Transtorno, direção coletiva de vários cineclubes.

Diversão sem fim para os adeptos da política de uma câmera na mão e um copo na outra. Tintim.