A traseira lembra a do Vectra, mas capacidade do porta-malas é menor que Fiesta e Siena

Prisma: ofensiva da GM contra sedãs e hatchs

Fernando Miragaya

SÃO PAULO. A boa vendagem do Celta incentivou a General Motors a aumentar a família do compacto. Depois de muito marketing e uma forçada expectativa em cima do Prisma, o sedã derivado do modelo produzido em Gravataí (RS), a montadora aposta no preço para ganhar mercado. Afinal, o Prisma chega a partir de R$ 29.990, na versão Joy. Trata-se da mais pelada, é claro. Mas na velha estratégia do a partir de..., o preço sugerido se torna bem competitivo, principalmente para brigar com Fiat Siena 1.4
(R$ 35.233) e Ford Fiesta Sedan 1.0 (R$ 31.390).

Na verdade, a GM diz que quer atacar os hatchs compactos com motorização superior a 1.0 e os sedãs pequenos com propulsor mil. Tanto que o modelo de entrada do Prisma é mais barato até que um Volkswagen Gol 1.6, com a vantagem de ter mais espaço no porta-malas.

E a traseira, obviamente, é o principal atrativo do carro. No design, o Prisma mais parece um Vectra em miniatura. A frente é a mesma do Celta. Atrás, lentes triangulares invadem a carroceria e os cortes da tampa do porta-malas lembram o sedã médio-grande da Chevrolet.

Com o terceiro volume, o Prisma ficou quase 34 cm mais comprido – 4,12 m no total – e cerca de 30 kg mais pesado – 905 kg no total, sem ar-condicionado – que o Celta. Estes números extras exigiram um reforço na suspensão do modelo. O sedã compacto teve os amortecedores recalibrados e as molas foram mudadas, aumentando discretamente a altura em 1 cm.

O espaço no porta-malas, por sua vez, não chega a ser um diferencial. São 439 litros de capacidade. Perde para o Siena (500l) e para o Fiesta Sedan (478 l). No nível de equipamentos, os rivais se equivalem. O Prisma Joy sai de fábrica apenas com itens simplórios, como conta-giros, banco bi-partido e abertura interna da tampa do porta-malas.

A versão Maxx, pouco mais equipada, sai por R$ 35.940 e tem direção hidráulica, rodas aro 14, console central e espelho nos para-sóis. Ar-condicionado apenas como opcional. Há ainda uma lista de acessórios de concessinárias, que inclui vidro elétrico (R$ 1.200), trava elétrica (R$ 160), rádio/CD player
(R$ 450), sensor de estacionamento (R$ 1.200), entre outros.

Em compensação, a Chevrolet pode usar como marketing o fato de o Prisma ter um motor novo. O propulsor 1.4 litro ganhou tecnologia bicombustível e foi batizado de Econo.flex. Desenvolvido pela Powertrain, gera 97 cv, com álcool, e 89 cv com gasolina a 6.200 rpm. Leva vantagem sobre Siena 1.4 (81 cv) e Fiesta 1.0 (73 cv).

Mesmo assim, o Prisma não terá vida fácil. A GM projeta vendas entre 2 mil e 2.500 unidades mensais. Mas ironicamente esquece da canibalização em modelos de sua linha. Apesar de a montadora jurar que vai manter os modelos, as versões 1.0 do Corsa e 1.6 do Classic estão com os dias contados. Afinal, a primeira começa em R$ 28.540 e não oferece o porta-malas do Prisma. E a segunda parte dos R$ 30.823, mas é um modelo para lá de defasado.

Bem nas curvas, mal no acelerador

O volume a mais na traseira do Prisma quase não é percebido. As modifcações na suspensão do sedã em relação ao Celta deixaram o carro durinho. No test drive feito entre São Paulo e Santos, pela rodovia Caminho do Mar, o modelo teve uma postura bastante interessante. Mesmo ao entrar com vontade nas mais variadas curvas, o modelo não jogou a traseira.

A mesma estabilidade, no entanto, não é percebida em velocidades altas. Ao atingir 140 km/h, o carro não passa segurança para o condutor e tende a flutuar. Chegar a esta velocidade, aliás, é tarefa inglória. Apesar do novo motor 1.4 de 89 cv (apenas com álcool), as respostas às investidas no pedal do acelerador são demoradas. O torque máximo disponível nos 3.200 giros dificulta a vida do motorista, principalmente na hora das subidas.

No que diz respeito ao acabamento e conforto, o Prisma herdou o que há de pior do Celta. Assim como no irmão mais velho, materiais de qualidade duvidosa tomam conta do revestimento dos bancos e portas e do tablier. Atrás, apenas dois adultos viajam sem apertos, característica comum aos compactos. O motorista ainda sofre com a posição de dirigir. O ajuste do banco em relação ao volante não é propriamente reto.