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A multivan Berlingo é
um dos modelos que são testados no interior
de São Paulo, utilizando combustível
vegetal misturado ao diesel comum
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A hora dos carros usarem diesel
Antonio Puga
RIBEIRÃO PRETO - SP O sonho de muitos brasileiros
de ter um automóvel movido a diesel, como existe
há décadas na Europa, fica menos distante
com o advento do biodiesel. O grupo PSA Peugeot Citroën
desenvolve em Ribeirão Preto (SP) versões
de alguns dos seus modelos, como o compacto 206, o
monovolume médio Xsara Picasso e a multivan
Berlingo, movidos pelo combustível vegetal.
Todos utilizam o motor 2.0 HDI já utilizado
na Europa.
As pesquisas são realizadas
pelo Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologia
Limpas (Ladetel) da Universidade de São Paulo
(USP) desde 2003, quando a montadora foi convidada
pelo presidente da República, Luiz Inácio
Lula da Silva, a participar do programa de biocombustíveis.
Atualmente, o combustível vegetal está
sendo adicionado ao diesel tradicional, na simplória
quantidade de 2%.
Por enquanto, o governo não
acena com a possibilidade de abrir o mercado para
automóveis de passeio movidos a diesel ou biodiesel.
Um dos motivos é que uma amplitude da aplicação
do diesel forçaria o país a importar
o combustível. Mesmo assim, várias montadoras
vêm desenvolvendo este tipo de tecnologia, talvez
prevendo a bandeira verde por parte do Palácio
do Planalto daqui a alguns anos.
De qualquer forma, o projeto do grupo
francês apresenta resultados positivos com óleos
provenientes da soja, mamona e do dendê (palma).
Principalmente no que diz respeito às questões
ambientais. Após 180 mil quilômetros
de testes, os números revelam índices
consideráveis de redução, não
só da emissão de gases (30%), mas também
da queima de hidrocarbonetos (11%).
Só o barulho
do motor denuncia
Fica difícil distinguir
entre um carro movido a biodiesel e um modelo a gasolina.
No caso do Citroën Xsara Picasso movido pelo
combustível vegetal testado por Carro &
Moto, apenas o indefectível barulho de caminhãozinho
denuncia que o motor 2.0 HDI de 197 cv está
sob o capô do monovolume.
O desempenho da minivan no campus
da USP, em Ribeirão Preto, foi normal. É
verdade que não foi possível investir
muito no acelerador, mas o carro respondeu bem nos
trajetos de subida e nas retomadas. A relação
curta das marchas, adaptada para o Brasil, facilitou
ainda mais a condução do carro.