Nem veloz, nem furioso

Renato Lemos

Divulgação

Os desafios sobre rodas não salvam 'Corridas clandestinas' de um tombo feio

Corridas clandestinas é mais ou menos como um + Velozes + Furiosos em versão econômica: menos rodas, menos velocidade, menos fúria, menos meninas bonitas e menos humor. De tudo, o humor é o que faz mais falta. Porque não há como se levar a sério - e o filme se leva - uma história em que marmanjos homenageiam o amigo morto acelerando suas motos, como soldados atirando para o alto em cerimônias fúnebres. Ruuumm, ruuumm. O ronronar das motos é pano de fundo para a velha trama da relação entre pai e filho que se detestam.

Ou que se amam, pode ser, é tudo mais ou menos a mesma coisa. No fundo, Corridas clandestinas (o título é seguramente o que há de mais engraçado no negócio) talvez seja apenas um filme sobre aprendizado, resumido numa frase repetida várias vezes durante a fita. ''Queime os pneus mas não queime a alma''. Filosofia, sacou brother? Debaixo dos capacetes, Derek Luke (de Voltando a viver) e um pançudo Laurence Fishburne (de Matrix), embalados por uma trilha sonora de primeira, até que tentam se equilibrar durante as quase duas horas do filme, mas não tem jeito. O tombo é arrasador.

[18/JUL/2003]