Rohmer histórico e digital

Rubens Lima Jr.

A inglesa e o duque é o quarto filme de Eric Rohmer lançado em menos de quatro meses no Rio. Os órfãos da Nouvelle Vague vão estranhar. Trata-se de um épico histórico, que reconstrói uma Paris setecentista através de telões pintados e digitalizados, num clima bem diferente das pequenas histórias burguesas e urbanas que o octogenário diretor francês sabe contar. Baseada no diário de Grace Elliot, a inglesa do título (na verdade escocesa), a história retrata seu pensamento aristocrático e moderado, em contradição ao do Duque de Orléans, mais moderno e aburguesado, tendo como fundo a Revolução Francesa.

A crítica francesa quis guilhotinar Rohmer por seu tom conservador, tanto que ele nem foi indicado a participar de Cannes. Mas, no festival rival, o de Veneza, o filme foi recebido calorosamente e o diretor ganhou o Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra. Apesar de todas as novidades estéticas e tecnológicas, que cansam da metade ao fim do filme, Rohmer mantém seu estilo inconfundível: a tendência de dar preferência aos diálogos sobre a ação, bem ao gosto da chamada Geração Paissandu, dos anos 60 e 70.

[18/JUL/2003]